Muito pouca gente sabe que o termo tão freqüentemente usado nos dias de hoje, o “acabar em pizza”, nasceu dentro da Sociedade Esportiva Palmeiras, há pouco mais de meio século, nos anos subseqüentes à Segunda Guerra Mundial.
A primeira vez que ouvi essa expressão foi quando eu trocava idéias com um dirigente da época (Capadaglio). Eu me referia preocupadamente às discussões acaloradas que aconteciam entre os componentes das várias correntes que integravam a cúpula do clube alviverde. Ele me acalmou e disse “Não se importe com isso. Eles discutem, mas, no fim, acaba tudo em pizza!”.
Este termo foi se popularizando e chegou até os dias de hoje. Se pensarmos bem, após meio século, ele mudou sensivelmente sua conotação e significação.
Antigamente, terminar em pizza indicava generosidade, coração aberto e não guardar mágoas de quem tivesse opinião diversa da nossa. Era o predomínio da amizade, do altruísmo em relação ao próximo.
Hoje, aquelas três palavras significam impunidade, falta de respeito com as instituições, corporativismo, descrédito da justiça.
É lamentável como o tempo se incumbe de degradar até as expressões dos sentimentos mais puros. É uma pena que os palmeirenses não possam ufanar-se de ter criado um bordão, que poderia ser o símbolo de uma atitude que espelha a generosidade humana, uma posição aplicável não somente ao associacionismo esportivo, mas a toda a sociedade, terminando com radicalismos, rancores e permitindo que o mundo seja bem melhor.
Na realidade, a significação de “acabar em pizza” deve ser o símbolo nacional de boa vontade e de compreensão.
